sábado, 4 de junho de 2016

A História de Larissa.

Eu sou a filha mais nova e adotada de uma família muito tradicional de classe média alta.
Minha mãe sempre sonhou em ter uma filha do sexo feminino, uma figura totalmente passiva, delicada e toda moldada de rosa, mas a problemática toda começa na ilusão. Desde nova, me atraio sempre pelo sentimento das pessoas, pelo afeto e nunca pela beleza física, então me decorei nessa filosofia de vida, que amor era realmente se apaixonar pelo sentimento, por tudo de bom que me era dado.
Com o passar do tempo, na minha cabeça, as mulheres e a sensibilidade de serem mais carinhosas, atenciosas e o meu puro convívio com homens( tenho dois irmãos) me fizeram ser muito curiosa, e então que comecei a série rebelde de Larissa Stephanny. Com 12 anos comecei a tentar descobrir meus sentimentos próprios, minhas vontades, realizar meus desejos, com consciência clara, apesar da idade não me faltou maturidade, atravessei uma educação muito rígida que me fez muito madura.
Enfim, fiquei com meninos, e meninos e mais meninos, mas não entendia nada, não consegui gostar de todos como eu gosto, não senti minhas vontades com eles, não fui feliz, foi algo forçado, triste e abusivo pra mim, e me esgotei de  tentativas, até que... Bom, eu notei que tinha muita proximidade com uma amiga, e só de não saber explicar, eu me sentia mais curiosa e então resolvi pensar sobre, pensar muito sobre, e fui conhecendo esse lado de muitas amigas, e fui adorando toda problemática e resolução de uma mulher, sua irritabilidade tão conhecida como TPM (sem rótulos) me deixava alegre, me deixa até hoje poder agradar, correr atrás de deixar bem, deixar confortável, ver que no meio de dor existia gratidão... E outras tantas coisas que eu me estendi a conhecer, ou melhor, perceber.
O inicio de minha vida ao contrário de muitas, se deu em 2013, comecei o ensino médio. Estava decidida, eu seria o que eu quisesse!
Então eu fui cínica, fui amorosa, fui dor, fui paz, eu fui e sou toda minha experiência de vida em três longos anos. Descobri-me de verdade, então resolvi ser grande e me mostrar pra todos o que sou sem medo dos rótulos e nem de nada, eu me relacionarei com mulheres, eu só sou capaz de amar mulheres.
A fase mais difícil da minha vida, mal me sabia que seria tão triste até hoje, mas eu disse a todos da minha família e como esperado não fui bem aceita. Sofri, apanhei, fui vítima de agressões verbais, sofri com rejeição, sofri mais ainda com a culpa de não poder ser o que a minha mãe tanto se iludia, mas com o tempo eu me reconstruí e apesar de toda dificuldade, consegui ver mais amor em mim e me superei mais ainda.

Já tive muitos relacionamentos com mulheres, mas nunca fui correspondida, até que em 2014, após uma fase dura de conhecimento, eu amei pela primeira vez, meu primeiro amor, a minha certeza de que tinha trilhado o caminho de felicidade. Fui muito feliz, em um ano eu não me arrependo de nada, mas acabou, e não, eu não deixei de ter a minha certeza. Nesse meio termo, convivo com a dificuldade do preconceito, da preocupação religiosa que limitam a minha felicidade, pois ainda em 2015, conheci a mulher que mais me marcou em dezoito anos, e até hoje estou a insistir no que acredito: No sentimento. Eu sou realizada, e acredito que em algum dia, terei a paz de ser feliz por completa com minha vida, enquanto isso, nos dias atuais, tudo isso e muito mais me fizeram a Larissa Stephanny que sou.



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